Um desses dias se você quiser assim que amanhecer o dia do Senhor. De porta em porta iremos caminhar, saindo a convidar o santo e o pecador. De casa em casa iremos relembrar que é dia de louvar o Pai da Criação enquanto o sino da matriz em frente irá chamando a gente para a oração. E assim bem cedo ao clarear o dia, a nossa Eucaristia iremos celebrar. Sentar-nos-emos ao redor da mesa e quem tiver certeza passa a proclamar.
Que aquele vinho e pão que partilhamos será corpo e sangue do Senhor, Jesus. E que a Palavra santa que escutarmos vai nos inundar da mais perfeita luz. E ali na mesa onde se senta o pobre, o remediado, o nobre, o leigo e o ermitão.
Por uns momentos, um segundo ao menos, nos igualaremos ao partir do pão.
Um dia desses, todos, lado a lado, reis e governados, vamos nos sentar naquela mesa como companheiros. Lá não há primeiro ou último lugar. Escutaremos cheios de humildade, as novas da verdade que Jesus pregou. E um dos presentes vai se por à frente pra fazer do jeito que Jesus mandou. E assim fazendo igual Jesus fazia, a nossa Eucaristia vai nos envolver. E entenderemos mais de liberdade, presos na verdade que do pão nascer.
Se compreendermos a democracia dessa Eucaristia que nos faz iguais, que faz a gente se sentir primeiro e, às vezes derradeiro, por não vir em paz se assimilarmos com serenidade a força e a verdade desta refeição.
Tudo depende se de fato cremos ou da fé que temos essa é a questão!
Se alguém quiser, que cante hosana ou vinde, mas não erga brindes pra não perturbar o companheiro que se encontra ao lado, e agora, concentrado, encontra-se a rezar. Ninguém comungue se estiver errado ou com o seu pecado ainda estiver de bem. Que não partilhe, quem jamais partilha, nem com a família, nem com quem não tem. Não se alimente com o pão divino aquele que escraviza e mal devolve o pão, pois nesta mesa senta quem redime e nunca quem oprime e agride o próprio irmão.
Por isso mesmo, quem quiser saber da arte de viver, venha partir o pão.
Venha beber do vinho, da justiça, quem à santa Missa vem pra ser irmão. E ali na mesa, onde se senta o pobre, o remediado, o nobre e quem já for capaz.
Por uns momentos, um segundo ao menos, todos saberemos de onde vem a paz!